O valor justo de uma pequena empresa
Fluxo de Caixa Descontado

O valor justo de uma pequena empresa

Uma situação muito comum no mundo empresarial é a venda ou alteração da estrutura societária de uma empresa. Nestes momentos surge uma grande dúvida: qual o percentual justo para cada parte ou qual o valor justo para comprar ou vender uma determinada empresa?

O valor justo de uma empresa é aquele que maximiza o preço conseguido pelo vendedor ao mesmo tempo que satisfaz a expectativa de retorno do investimento por parte do comprador. Mas, como chegar a este ponto de equilíbrio?

Primeiro vamos nos colocar no lugar do vendedor, ou seja, um empresário que dedicou esforço, estudo e dinheiro na construção de um negócio, uma reputação e uma marca que em muitos casos se confundem com sua história de vida, sua família e seu crescimento profissional.

Do ponto de vista do empreendedor, a empresa vale muito mais do que um simples cálculo financeiro, além do fato que o empreendedor tende a acreditar muito mais no futuro promissor de um negócio do que alguém não envolvido na operação.

Agora vamos pensar no aspecto financeiro do vendedor. Digamos que a empresa seja vendida por R$ 10 milhões. Quais as opções disponíveis para uso ou remuneração deste capital? Hoje (Janeiro/2019), temos disponível no mercado um investimento em títulos do tesouro com juros pré-fixados de 8,6% ao ano até 2025, o que garantiria ao nosso empreendedor uma remuneração anual bruta de R$ 860 mil pelo menos pelos próximos 6 anos, com risco extremamente baixo e tempo livre para curtir a vida ou pensar em outras formas de ganhar dinheiro. Vamos manter este valor de rendimento bruto como referência, lembrando que ainda teremos que descontar inflação e imposto de renda. Esta taxa de retorno de um investimento muito seguro é o que chamamos de taxa livre de risco.

Existe também uma variável extremamente importante na vida do empreendedor que na maioria das vezes é ignorada: o tempo.

O tempo que o empreendedor dedica à empresa, menos o que recebe de pró-labore, é o seu custo de oportunidade. Este custo de oportunidade é o que o empreendedor poderia ganhar se tivesse, por exemplo, um emprego em outra empresa. Como considerar o custo de oportunidade do empreendedor no valor da empresa? Uma forma simples de incluir este valor no cálculo é substituir o pró-labore e eventuais retiradas do(s) sócio(s) pelo salário equivalente de um profissional contratado para realizar o mesmo trabalho. Neste caso, o empresário estaria atuando apenas como investidor e recebendo pelos lucros da empresa.

Agora, sabemos que comprar ou abrir uma empresa é algo muito mais arriscado do que investir em títulos do tesouro, fundos DI, CDBs etc., portanto, é de se esperar que o retorno sobre o investimento ou a remuneração deste capital investido seja substancialmente maior do que aquele sem risco ou com risco muito baixo.  A diferença entre a remuneração esperada pelo investidor para compensar este risco adicional e a taxa livre de risco é o que chamamos de prêmio de risco. Em outras palavras, o prêmio de risco é aquele rendimento adicional que o investidor deseja obter para sair da sua zona de conforto (investimento pela taxa livre de risco) e arriscar seu capital em um negócio.

Assim sendo, ao investir numa empresa, o empreendedor deve obter uma remuneração que seja a soma da taxa livre de risco, mais um prêmio de risco e mais o seu custo de oportunidade. A soma destas 3 variáveis é a taxa de retorno ou taxa mínima de atratividade (TMA) de um investimento. Esta taxa também é conhecida como custo do capital próprio.

Para calcular o valor de uma empresa, temos que considerar que o investimento será remunerado por esta taxa de desconto e para fazer este cálculo, fazemos uma projeção da geração de fluxo de caixa futuro, descontando ano a ano esta taxa de desconto até chegarmos ao valor presente desta expectativa de ganhos futuros.

Temos também um outro fator importante a considerar: a dívida da empresa e o custo desta.

O valor da empresa é o resultado do valor do acionista somado ao valor da dívida. A dívida, porém, tem uma taxa ou um custo diferente da taxa de retorno, portanto a riqueza futura deverá ser descontada considerando também o custo desta dívida, como exemplificado abaixo:

Fluxo de Caixa Descontado

 

O WACC (Weighted Average Cost of Capital) nada mais é do que uma taxa de desconto que faz uma ponderação entre o custo do capital próprio (ou TMA) e o custo da dívida.

A metodologia descrita acima é conhecida como Fluxo de Caixa Descontado e é a mais reconhecida pelo mercado para avaliação de empresas, pois consegue capturar o potencial de geração de riquezas de uma empresa incluindo aí seus bens tangíveis e intangíveis.

O método, no entanto, depende de algumas variáveis subjetivas e a qualidade do resultado dependerá de uma projeção de resultados criteriosa e um cálculo bem feito da taxa de desconto.

No entanto, é comum encontrarmos cálculos simplistas, com projeções exageradas ou taxas de desconto subestimadas, resultando em preços que não são interessantes para um investidor e consequentemente o negócio não é fechado ou é fechado com um deságio muito grande.

O melhor indicador de uma avaliação empresarial de qualidade é quando um negócio é fechado por valores próximos ao valor indicado pelo avaliador.

Sobre o autor: Nicolai Krogh é diretor da NeoVolution Consultoria e responsável pelas áreas de Marketing, Gestão estratégica de negócios, pricing e avaliação de empresas.

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